A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) afirmou nesta quinta-feira (7) que o governo federal não vê problema em o ex-ministro Alfredo Nascimento participar do processo de escolha de seu sucessor no Ministério dos Transportes. Nascimento deixou a pasta ontem após denúncias de corrupção e, além de retornar ao Senado, vai reassume a presidência do PR.
Ideli afirmou ainda que a tendência é que o ministério permaneça com o PR, mas que o futuro ministro será definido pela presidente Dilma Rousseff.
"O ministro Nascimento prestou serviços que sempre foram levados em consideração pela presidente. Tanto que na segunda-feira (4) tinha ficado bastante claro, que ele estava na condição de conduzir os processos de apuração das denúncias. Então não há, eu acredito que não há da parte da presidenta, nenhuma situação que coloque o ministro sem condições de fazer sugestões, indicações, dar opinião, inclusive como presidente do partido."
"O ministro Nascimento prestou serviços que sempre foram levados em consideração pela presidente. Tanto que na segunda-feira (4) tinha ficado bastante claro, que ele estava na condição de conduzir os processos de apuração das denúncias. Então não há, eu acredito que não há da parte da presidenta, nenhuma situação que coloque o ministro sem condições de fazer sugestões, indicações, dar opinião, inclusive como presidente do partido."
A ministra defendeu que o processo de escolha seja rápido. Mas assessores próximos dizem que a presidente tem indicado que deseja fazer um processo com tranquilidade para avaliar os desdobramentos das denúncias envolvendo o ministério e órgãos ligados.
"A decisão é dela. Ela poderá ouvir as indicações, apreciá-las, fazer análise, avaliação, mas a decisão ela deverá tomar a partir das análises que ela tem, inclusive da importância."
Ideli disse que o PR fará as indicações que achar oportuna, mas afirmou que não vê problema na manutenção de Paulo Sérgio Passo, ministro interino na pasta, que ocupava a Secretaria-Executiva. Passos enfrenta resistência da bancada do partido na Câmara. Outro cotado é o senador Blairo Maggi (MT).
"O Paulo Sérgio efetivamente, já ocupou o Ministério em outros períodos. É uma pessoa técnica, uma pessoa extremamente eficiente, competente, é do PR, portanto não haveria uma situação de desmanche, de rompimento. Agora quem decidirá é ela."
QUEDA
O escândalo envolvendo o Ministério dos Transportes veio à tona após uma reportagem da revista "Veja" no último dia 2 informar que representantes do PR, partido que comanda os Transportes, e funcionários da pasta e de órgãos vinculados ao ministério montaram um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por empreiteiras.
A queda de Nascimento ocorre um mês depois da demissão do ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil), que teve início após publicação de reportagem Folha sobre multiplicação de patrimônio.
A situação de Nascimento ficou insustentável após o jornal "O Globo" revelar, nesta quarta-feira (6), que o patrimônio de seu filho teve um aumento de 86.500% em cinco anos.
As suspeitas sobre a Forma Construções --empresa de Pereira--começaram por causa de um repasse de R$ 450 mil da Socorro Carvalho Transportes, que presta serviços ao Ministério dos Transportes, para a Forma. O jornal mencionou ainda que o Fundo da Marinha Mercante, administrado pelo Ministério dos Transportes, teria repassado R$ 3 milhões à Socorro Carvalho. O ministério afirma que a empresa --que também trabalha com navegação-- recebeu ressarcimento por serviços prestados na região amazônica.
Em nota de "esclarecimento" em que anuncia a sua demissão, Nascimento diz que vai reassumir sua vaga no Senado. Ele entra no lugar do senador João Pedro (PT-AM), que é suplente.
Fonte: Folha Online
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